sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Sobre a Violência

Hoje, aproveito que estamos chegando ao dia 2 de outubro, dia Internacional da Não-violência, para falar um pouco sobre minha visão e de alguns amigos sobre a violência e tentar expor uma saída, sei que uma saída que depende de todos, mas se entendemos a violência como uma usurpação de direitos de um indivíduo por outro, devemos ver os "porquês" e os "para onde" essa violência está levando e sendo levada por toda a sociedade.
Há muito tempo atrás um americano, Henry David Toreau, escreveu um ensaio de nome "Desobediência Civil", que cita algumas mazelas do Estado americano em sua época, como o serviço militar, o escravatura, entre outros. Este livro pode ser considerado para alguns o marco do anarquismo. Este livro algumas décadas depois seria lido por um indiano, que pelos seus seria chamado de Mahatma Gandhi, que iniciaria uma luta contra o Estado Britânico, de aspectos similares ao Estado Americano da época de Toureau e que chegaria a conseguir a independência de um país que hoje chamamos de Índia.
A Metodologia de Gandhi serviu de ... para um pastor negro Americano, de nome Martin Luther King que inicia uma luta por igualdade de direitos civis para negros e brancos nos EUA, o que eclode na denominada marcha do 1 milhão, onde são reunidas cerca de 1 milhão de pessoas no Capitólio americano.
Bom, hoje, a Índia continua independente e nos EUA, os negros podem votar e têm os mesmos direitos civis de um cidadão branco (ao menos pode pedir por isso).
Mais a frente um argentino, durante a ditadura militar na América Latina, resolve retomar o tema da não-violência e lança uma nova ideologia: o Novo Humanismo. Já não é seu tema somente a igualdade de direitos ou a libertação de uma país, mas a liberdade e igualdade de direitos de todo o ser humano e cita não só a violência física ou a discriminação como pontos de conflitos mas a violência psicológica (opressão), a violência sexual (a diferença entre funções e sexos) a violência econômica (a exploração) , a violência religiosa (o fanatismo e a diferenciação entre fiéis) entre outras tantas, que mesmo porque cometemos penos atos (falhos ou conscientes) e nem sentimos ou entendemos por violência.
Quando um patrão deixa de dar emprego a alguém por que este é de uma religião diferente da do outro, ou porque o candidato não tem "aparência", este patrão está cometendo uma série de violências que o outro absorve e passará num ciclo quase imutável.
Durante uma determinada fase da história não havia muita diversidade, as pessoas costumavam ter um senso comum, uma mesma religião de uma tribo, irem a uma mesma igreja (religião), terem confiança em uma mesma liderança (política), condenarem e terem os mesmos traços de comportamento (social), mas hoje, com o mundo cada vez mais globalizado, com os escândalos ocorrendo sem parar nas lideranças, e com a "liberdade de crenças e credos" e a "liberação sexual" entre outros aspectos, o indivíduo fica cada vez mais divergente do grupo que está a sua volta. E juntando com o isolamento que "sobrevoa" as nossas cabeças, com cada um cuidando dos seus próprios problemas e não do conjunto, as diferenças vão crescendo e com isso o estranhamento e com isso a banalização do ser humano vai aumentando, chegando ao ponto que um parente ou mesmo os nossos pais não são mais seres humanos, mas sim provedores do nosso dinheiro e sustento, e que se eles não executam bem a sua "função" poderiam estar mortos. :o
É preciso que haja uma "responsabilidade conjunta", uma verdadeira "re-educação" para que os indivíduos possam voltar a viver legitimamente em sociedade. A essa responsabilidade conjunta damos o nome de Não-violência ativa, ou seja uma responsabilidade para que frente a qualquer ato que detectamos violência façamos algo não-violento para reverter ou mudar a situação corrente. A Não-violência Ativa não é simplesmente abraçar um abraço na Lagoa para pedir paz porque a classe média está assustada com os altos índices de violência em que está submergida, ou andar alguns quilômetros porque uma criança de classe média morreu de forma desumana arrastado por alguns mentecaptos escondidos atrás de uma arma de fogo.
Na verdade, se a violência não tem classe social para nascer (digo violência no sentido mais amplo, como violências intangíveis que praticamos e nem percebemos), porque vai depender de uma passeata, ou de faixas na janela para parar. Além disso, essa violência tão enquadrada em tantos manifestos e atos, é só uma manifestação do monstro que aflige a sociedade como um todo.
É preciso parar com a violência em todos os seus aspectos ou estaremos vivendo num verdadeiro mundo artificial, pois a ganância faria com que alguns continuassem controlando de uma forma mais sutil a vontade dos demais, com aspectos como polícias, exércitos, etc... Mas isso eris um tema para outro post.
Aproveito aqui essa linda data para convidar a todos para convidar a todos para os atos que ocorrerão em diversas partes do mundo e no brasil, até onde eu sei estraão acontecendo no Rio de Janeiro , São Paulo e Curitiba, simultâneos. o link do spot é: veja aqui